sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Al BASS

Os carros e os seus passageiros esperam pacientemente em fila, para poder passar o posto de controle do exército líbanês. Este é o primeiro posto de um conjunto de três, antes que se possa entrar na cidade de Tiro e marcam o começo do espaço de exclusão militar a sul do rio Litani. Os outros dois são da responsabilidade da ONU e dos capacetes azuis.
Ao longo da estrada desfraldam-se as bandeiras amarelas do Hezbollah, e vêm-se cartazes com fotografias de mártires palestinianos e do heroi local e líder deste movimento líbanês, Sheik Hassan Nasrallah.
A cidade em si é bastante atractiva e nota-se que têm sido feitos esforços para "curar" as cicatrizes das sucessivas guerras dos últimos 30 anos. No seu pitoresco porto de origem fenícia, os pescadores sentados no cais reparam as redes ou fazem trabalhos de manutenção nos seus barcos. Os carros da ONU, circulam lentamente nas ruas e avenidas nas suas patrulhas diárias e no souk decorre a azáfama normal de mais um dia.
É uma sencação estranha aquela que de repente me assalta. Aparte dos capacetes azuis, de origem polaca, sou o único ocidental a vaguear pelas ruas. Não há turistas. Talvez os acontecimentos de 2006 tenham afastado os ocidentais desta bonita cidade, pensei.
Tiro tem tudo para ser próspera.É uma cidade típica do Mediterrâneo, situada numa peninsula e com uma história que se estende por vários milénios, como se pode atestar nas impressionantes ruínas da cidade edificada pelos romanos. Incluindo um enorme hipódromo. Esta cidade, viveu ao longo do seu trajecto muitos tempos de intranquilidade e os actuais são marcados pela proximidade de Israel.
Foi também aqui, que mais de 10 mil palestinianos encontraram refúgio durante a guerra da independência de Israel. Ao principio bem recebidos, mas depressa relegados para os arredores da cidade num campo de refugiados que tem o nome de Al Bass, ao qual eu prefiro chamar de bairro.
As ruas estão limpas e organizadas, respira-se uma atmosfera calma, algumas mulheres conversam à porta de uma mercearia. As crianças correm atrás de uma bola. Uma delas acerca-se de mim e pergunta-me se sou da ONU, respondo que não, faz uma cara de desalento e afasta-se correndo com os seus camaradas.


Ali ao lado, uma igreja cristã destaca-se por entre as casas de construção simples, talvez faça trabalho humanitário, penso para comigo, surpreendido pelo facto de ver uma igreja cristã no meio de um bairro de refugiados palestinianos.
Mais à frente um grupo de homens está sentado em volta de uma mesa, jogam gamão, bebem chá e fumam chicha. Olham para mim com um misto de curiosidade e supresa. Uma fotografia de Yasser Arafat domina a entrada da rua principal do bairro, o coração da comunidade. Pergunto a um transuente se posso tirar uma foto e este responde-me que sim, com um inquisitivo sorriso. Pergunta-me de onde sou. Respondo que sou de Portugal.

-Ahh..., Cristiano Ronaldo, responde desta vez com amplo sorriso,...great player,
my name is Bassam, welcome to our neighbourhood.

Conversámos um pouco mais acerca de futebol e falámos da situação dos refugiados palestinianos no Líbano. São hoje mais de 400 mil em todo o país, não têm direitos sociais ou cívicos, limitados cuidados de saúde e as escolas são da responsabilidade da ONU.
Bassam é jovem e acalenta a esperança de uma vida melhor, sem este tipo de restrições. Gostava de ser engenheiro e está à espera que um primo no Qatar lhe consiga um visto para que emigre para este país. Por enquanto vai fazendo biscates na construção civil, ajuda um amigo na pesca e ocasionalmente faz algum trabalho para a ONU. Tal como todos os refugiados não tem acesso a trabalho legal. Não se sente infeliz, mas sente-se prisioneiro das vicissitudes do passado do seu povo e de um futuro incerto.
Despeço-me de Bassam, dirigindo-me para a saída do bairro, reflectindo sobre aquilo que vira e ouvira. Certamente que estas pessoas têm direito a uma vida mais digna, com direitos sociais, acesso ao trabalho, à educação e à saúde, por forma a contribuir de forma segura para a sua sustentabilidade enquanto comunidade, deixando para trás o estatudo de refugiados no qual vivem há mais de 60 anos.
As crianças correm de novo, desta vez atrás de uma garrafa de plástico. Entusiasmadas pela brincadeira parecem felizes. Desejo que o seu futuro também o seja.

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

PROTESTOS

Enquanto que no palco maior das Nações Unidas, os lideres ocidentais conjugavam esforços na condenação do Irão, pela descoberta de mais uma instalação nuclear destinada ao enriquecimento de Uranio, cá fora e tal como prometido, um grupo e rabis protestava contra a existência do Estado de Israel e a favor do líder do Irão, Mahmoud Ahmadinejad.

Vale a pena recordar o comunicado conjunto, feito por Obama, Brown e Sarkozy:



Os argumentos de Ahmadinejad:



Os testes misseis de longo alcançe feitos pelo Irão:



e ver em três dimensões as instalações nucleares de Israel:



*Estes dois últimos vídeos, sugeridos por um amigo ao qual agradecemos.
SIDA

Uma vacina na prevenção de SIDA foi recentemente anunciada como tendo sido um sucesso na Tailândia. O anuncio foi feito pelo próprio Ministro da Saúde tailandês, cujo ministério conduziu este teste em conjunto com o exército norte-americano e resultou, segundo foi publicado, da junção de duas outras vacinas anteriormente testadas. O sucesso deste teste foi visto com bastante optimismo pela OMS. No entanto o espóro do virús tailandês é diferente do africano e não se sabe exactamente qual será o potencial efeito desta vacina nas diferentes partes do mundo.
Pessoalmente, não deixa de me surpreender o envolvimento do exército norte-americano neste teste.
Existe também muita polémica envolvendo o próprio virús e um determinado medicamento utilizado para combater a doença, denominado AZT e comercializado pelos principais fabricantes de fármacos. Segundo especialistas independentes, este medicamento utilizado em todo o mundo no combate à doença é mais mortífero do que o próprio virús e será o responsável pelo grande número de mortes que acontecem em África, onde é utilizado em todos os países afectados pela doença.
Basta rever a história do medicamento e saber quais foram as razões que levaram os serviços de saúde a rejeitarem a sua utilização durante a década de 60, quando foi laboratóriamente ensaiado.
Aqui pode ser visto um vídeo que oferece a opinião de muitos cépticos em relação á utilização deste medicamento e até quanto à própria origem do virús.


* Voltaremos em Novembro. Pausa para reflexão e recarregar baterias.

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

CRIMES DE GUERRA E DIREITOS HUMANOS EM GAZA

O relatório final do inquérito das Nações Unidas, aos confrontos entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, em Janeiro último, aponta para crimes cometidos em ambos os lados do conflito.
Num total de 575 páginas, este relatório condena o Hamas pelos ataques contra a população civil de Israel, através do lançamento de rockets e ao mesmo tempo lança uma forte crítica às atitudes do exército israelita para com a indefesa população civil palestiniana.
Entre outras citações, o relatório refere os sistemáticos bombardeamentos de zonas de armazenamento de comida, reservas de água, hospitais, escolas e disparos contra civis que tentavam procurar refúgio, agitando bandeiras brancas.

Deste
relatório, publicado em meados deste mês de Setembro, destaco alguns excertos que me parecem importantes:

"... the Mission excludes that Palestinian armed groups engaged in combat activities from UN facilities that were used as shelters during the military operations. The Mission cannot, however, discount the possibility that Palestinian armed groups were active in the vicinity of such UN facilities and hospitals. While the conduct of hostilities in built-up areas does not, of itself, constitute a violation of international law, Palestinian armed groups, where they launched attacks close to civilian or protected buildings, unnecessarily exposed the civilian population of Gaza to danger."

"The Mission acknowledges the significant efforts made by Israel to issue warnings through telephone calls, leaflets and radio broadcasts and accepts that in some cases, particularly when the warnings were sufficiently specific, they encouraged residents to leave an area and get out of harms way. However, the Mission also notes factors that significantly undermined the effectiveness of the warnings issued.
These include the lack of specificity and thus credibility of many pre-recorded phone messages and leaflets. The credibility of instructions to move to city centres for safety was also diminished by the fact that the city centres themselves had been the subject of intense attacks during the air phase of the military operations."

"On 15 January 2009, the UNRWA field office compound in Gaza City came under shelling with high explosive and white phosphorous munitions. The Mission notes that the attack was extremely dangerous, as the compound offered shelter to between 600 and 700 civilians and contained a huge fuel depot. The Israeli forces continued the attack over several hours in spite ohaving been fully alerted to the risks they created. The Mission concludes that Israeli armed forces violated the customary international law requirement to take all feasible precautions in the choice of means and method of attack with a view to avoiding and in any event minimizing incidental loss of civilian life, injury to civilians and damage to civilian objects."

"The Mission also finds that, on the same day, the Israeli forces directly and intentionally
attacked the Al Quds Hospital in Gaza City and the adjacent ambulance depot with white
phosphorous shells. The attack caused fires which took a whole day to extinguish and caused
panic among the sick and wounded who had to be evacuated. The Mission finds that no warning was given at any point of an imminent strike. On the basis of its investigation, the Mission rejects the allegation that fire was directed at Israeli forces from within the hospital."

"The Mission examined the mortar shelling of al-Fakhura junction in Jabalya next to a
UNRWA school which at the time was used as a shelter housing more than 1,300 people
(Chapter X). The Israeli forces launched at least four mortar shells. One landed in the courtyard of a family home, killing eleven people assembled there. Three other shells landed on al-Fakhura Street, killing at least a further 24 people and injuring as many as 40."

Estes são apenas alguns das centenas de pontos publicados neste relatório, referente ao conflito israeló-palestiniano.

Entretanto, no jornal
Haaretz, foi publicado um interessante artigo que recomendo pela clareza de argumentos e opinião em relação a este relatório, a um dos seus autores e as atitudes de Israel para com os palestinianos:

"For almost a year, Israel has been trying to argue that the blood spilled in Gaza was merely water. One report followed the other, with horrifyingly identical results: siege, white phosphorous, harm of innocent civilians, infrastructure destroyed - war crimes in each and every report. Now, after the publication of the most important and damning report of all, compiled by the commission led by Judge Richard Goldstone, Israel's attempts to discredit them look ludicrous, and the empty bluster of its spokespersons sound pathetic."

"So far they have focused on the messengers, not their messages: the researcher for Human Rights Watch collects Nazi memorabilia, Breaking the Silence is a business and Amnesty International is anti-Semitic. All cheap propaganda. This time, though, the messenger is propaganda-proof. No one can seriously claim that Goldstone, an active and ardent Zionist, with deep links to Israel, is an anti-Semite. It would be ridiculous."

Afinal, ainda há pessoas com bom senso dentro e fora da comunidade judaica, quer em Israel quer no resto do mundo.

sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

AFEGANISTÃO

Numa semana marcada pela continuação de ataques suicidas a tropas ocidentais e na qual morreram seis soldados italianos, as questões sobre o porquê desta guerra são mais que muitas.
No Reino Unido, o governo de Gordon Brown, tem cada vez mais dificuldades em fazer passar a menssagem de que lutando contra o terrorismo em território afegão se tornam as ruas britânicas mais seguras em relação ao extremismo islamita. Ao mesmo tempo, as familias dos soldados britânicos que vão sendo vítimas dos ataques Talibã, reforçam as suas acusações ao governo no que respeita ao equipamento desadequado e à falta de apoio, que dizem ser insuficiente para garantir a segurança das tropas.
Nos EUA, as críticas a Obama e à sua falta de experiência em política e relações internacionais são cada vez mais e há já quem o considere como um presidente de guerra e não de mudança, que segue a estratégia de expansão imperialista americana herdada dos seus antecessores, sem fazer aquilo que o mundo esperava quando ouvia as suas palavras de esperança, mudança ou de um novo recomeço.
Mas nem tudo é mau, esta semana foi anunciado que os EUA vão desistir, (por agora), do plano de Guerra das Estrelas iniciado por Ronald Reagan nos anos 80 e depois retomado por George W. Bush e que tanto irritou os russos. Obama, talvez espere algumas concessões por parte dos russos em relação a alguns pontos quentes da estratégia americana, como sejam o Irão ou as bases de apoio à Nato no Uzbequistão. O mais certo é os russos não fazerem absolutamente nada, nestes ou noutros aspectos.

Dois artigos interessantes, um de William Pfaff sobre o Afeganistão e outro de Joshua Blakeney sobre a estratégia e a politica seguida até agora pela administração Obama.

(...)

Já tenho visto reportagens na TV, em que soldados da Nato atravessam enormes campos de papoilas na provincia de Helmand e questiono-me sobre a passividade das tropas ocidentais perante uma das alegadas fontes de rendimento dos Talibã. Também penso que seria fácil eliminar estas culturas, atendendo aos meios que estão à disposição das tropas. O certo é que pouco fazem e o Afeganistão, depois de os Talibã terem quase erradicado a produção de ópio durante os anos 90, voltou a ser o maior produtor mundial e grande parte da heroina que se vende nas ruas da Europa e dos EUA, provem deste país.


quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

9/11

Muito já foi dito e escrito e feito sobre os acontecimentos de 11 de Setembro de 2001. Desde a versão corrente dos acontecimentos, até às mais variadas teorias de conspiração, em que umas são mais realistas do que outras, mas todas se centram nas possibilidades reais de este ter sido um "trabalho" encomendado para o efeito.
Nesta publicação não vou aqui trazer nenhum vídeo ou artigo com mais uma teoria, porque no fundo penso que neste assunto só é enganado quem realmente quer.

O artigo que hoje trago é da autoria de Firoz Osman e foi publicado em Novembro de 2001, no site WWW.mediamonitors.net . Osman expõe as verdadeiras razões da estratégia americana na Asia e em último caso, a razão pela qual o Afeganistão foi e é visto como um prémio em que vale a pena alimentar uma guerra, que parece não ter fim à vista e que tantas mortes está causar entre os soldados da Nato, combantentes Talibã e acima de tudo entre a população pobre e extenuada desta região, fustigada por décadas de conflito. Passados que estão 8 anos sobre os acontecimentos da manhã de 11 de Setembro, este artigo mantém a sua actualidade uma vez que nada mudou, para além dos EUA terem um novo presidente e respectiva administração na Casa Branca.

Como nota final deixo uma sugestão de leitura: The New Pearl Harbor, um livro escrito por um antigo professor de Filosofia da Claremont School of Theology, David Ray Griffin, que oferece uma das mais clarividentes análises sobre as atrocidades de Nova Iorque.

domingo, 6 de Setembro de 2009

ANTI SIONISMO EM ISRAEL

Recentemente, centenas de judeus ortodoxos manifestaram-se frente à embaixada de Israel em Nova Iorque, contra aquilo que dizem ser a perseguição que lhes é movida pelo governo israelita por causa das suas posições anti-sionistas.
Dizem os manifestantes que "Isarel é o lugar mais hostil para os judeus" e baseiam as suas acusações contra o governo israelita, na opressão orquestrada contra os judeus da Torah e de fecharem os olhos e participarem nos ataques violentos de que é vitíma este grupo, não sionista.

Isaac Grunfileld, do movimento dos Judeus Contra o Sionismo, afirmou durante os protestos que: " os religiosos judeus estão a sofrer e a ser brutalizados pela policia, porque este movimento está a lutar pelos seus direitos religiosos e pela sua religião"

Esta foi aliás, a primeira acção de protesto pela atitude do governo israelita e vai incluir manifestações durante o debate da Assembleia Geral das Nações Unidas, agendado para breve.

Ver em vídeo, a noticia divulgada pela estação de televisão RussiaToday.